• facebook
  • twitter
  • fale conosco

Acesse também:

Livraria Unesp
Universidade do Livro
Cultura Acadêmica
Instituto Confúcio



Artigos de Autores


27 de setembro de 2011
Do cárcere ao exílio: Percalços do cronista Bilac (1892-1894)

PLUMA AO VENTO?

 No prefácio a Usos e abusos da literatura na Escola, de Marisa Lajolo, Antonio Candido disse que, ideologicamente, Olavo Bilac (1865-1918) teria variado “como pluma ao vento” para acabar “aceitando com sinceridade o ponto de vista do rolo compressor” e tornar-se “intérprete fiel do pensamento oficioso”.[1]No entanto, a leitura dos textos publicados em jornais revela que a trajetória intelectual de Bilac é muito mais retilínea e coerente do que sugere Candido, embora nem sempre estivesse afinada com os governantes de turno. De Floriano Peixoto, por exemplo, o poeta das Panóplias (1888) foi um dos críticos mais implacáveis.

 ADVERSÁRIO DO MARECHAL DE FERRO

            Em 1891, ao chegar de viagem à Europa, para onde fora como correspondente da Cidade do Rio, de José do Patrocínio (1854-1905), Bilac tornou-se funcionário do governo fluminense assim como seus amigos Coelho Neto (1864-1934), Aluísio Azevedo (1857-1913), Luís Murat (1861-1929) e Pardal Mallet (1864-1894). O governador Francisco Portela (1833-1913) talvez quisesse assim expressar seu reconhecimento aos intelectuais que, nos jornais, haviam contribuído para a propaganda republicana.

            No dia dois de novembro de 1891, o primeiro presidente da República, Deodoro da Fonseca (1827-1892), fechou o Congresso com o singelo argumento de que senadores e deputados criavam embaraços para a sua administração. Na verdade, os parlamentares questionavam a moralidade de certas medidas econômicas e financeiras. Apesar da flagrante inconstitucionalidade do ato, o governador fluminense e seus ilustres funcionários deodoristas permaneceram em seus cargos sem protesto.

            No dia 23 do mesmo mês, eclodiu um contra-golpe apoiado pela Armada, liderada pelo almirante Custódio José de Melo. Para evitar a guerra civil, Deodoro renunciou e transmitiu o cargo ao seu substituto constitucional, o vice-presidente Floriano Peixoto (1839-1895). Com Deodoro, caíram todos os governadores que o apoiavam, inclusive Portela. Na dança das cadeiras que se seguiu, Bilac e seus amigos foram exonerados.

            Em abril de 1892, Bilac, que então trabalhava n’O Combate, jornal especialmente fundado para fazer ferrenha oposição a Floriano, participou de manifestação pela volta de Deodoro ao poder. O poeta da Via Láctea foi preso como um dos principais conspiradores. Até agosto ficaria confinado na fortaleza da Laje, comendo, segundo confessou em carta a Max Fleiuss, feijão bichado e carne seca podre. Meses depois, quando libertado, Bilac retornou à Cidade do Rio, para ser seu secretário de redação e principal cronista.

            A partir de então, Bilac, que já experimentara os rigores do estado de sítio, viu-se na obrigação profissional de comentar em um jornal abertamente oposicionista os atos e omissões do governo autoritário de Floriano. Os riscos ponderáveis a que se expunha não intimidaram o cronista.

            Logo no início de fevereiro de 1893, eclodiu no Rio Grande do Sul um movimento armado liderado pelo parlamentarista Gumercindo Saraiva para depor o governo dominado pelo ex-deodorista Júlio de Castilhos (1860-1903). Floriano levou algum tempo para manifestar-se sobre a guerra civil, pois não confiava em nenhuma das facções.[2]Certa vez, Bilac o imaginou fechado no gabinete telegráfico do palácio do Itamarati — como Fausto entre suas retortas — procurando ansiosamente descobrir que lado apoiar.[3]

Ao comentar protestos exaltados contra a falta de carne fresca ocorridos na rua do Ouvidor, o cronista aproveitou a oportunidade para acusar o omisso vice-presidente de ser responsável pela tragédia no sul.

A estas horas, o despotismo trinca voluptuosamente um novo bocado de carne fresca. Nada pode distraí-lo da sua volúpia. No sul, o matadouro continua a funcionar. Se à mesa de cada um de nós pode faltar a carne de vaca, à mesa do Itamarati não há de faltar tão cedo a carne humana...[4]

Bilac não perdoava a Floriano o vezo de protelar suas decisões, muitas vezes alegando problemas de saúde. Por isso, fez questão de registrar o que se ouvia pelas ruas.

Para o grosso público, as moléstias repetidas e quase diárias de S. Ex. não passam de manhas, como as que fazem os colegiais quando não sabem a lição e têm medo de aparecer diante do mestre.[5]

Como Floriano, após muito hesitar, declarou seu apoio ao governo castilhista, a Cidade do Rio empenhou-se na defesa dos federalistas. Na imprensa do Rio de Janeiro, ocorria uma guerra de propaganda. Bilac, sempre atento, certa vez escarneceu de telegramas castilhistas que asseguravam o aniquilamento da revolução: “Já é a segunda vez que se aniquila aquilo”, observou então. Em certo combate nos pampas, apenas cento e trinta castilhistas teriam liquidado mil e quinhentos federalistas. Como a disparidade numérica minava o crédito da notícia, Bilac comentou com ironia:

Que espanta isso? nas guerras, o que vence é a fé. Do lado dos federalistas estão apenas a razão, a justiça, o direito e algumas outras balelas. Do lado dos castilhistas está a fé.[6]

            Na sua crônica semanal, publicada sob a rubrica “Os sete dias”, Bilac aproveitou o Domingo de Ramos, em que se recorda a entrada de Jesus Cristo em Jerusalém, para fazer uma alusão às incursões dos federalistas no Rio Grande do Sul.

         Hoje, em dia , quando alguém quer entrar na sua cidade, para tomar conta do seu lar prostituído e da sua família morta à fome, é preciso entrar comandando um exército de extermínio, e carregando, em vez das palmas verdes da conciliação, as comblains e as winchesters aperfeiçoadas, capazes de conciliar com a sepultura vinte homens por minuto.[7]

Com o intuito de angariar apoios e sondar lealdades, Floriano instituiu as recepções políticas do Itamarati, promovidas nas noites de sábado. Como não poderia jamais ser um dos convidados, Bilac imaginou sarcasticamente como seriam essas reuniões.

Itamarati inaugurou anteontem as suas recepções políticas. Agora, todos os sábados, iluminar-se-ão os salões presidenciais, e o Sr. marechal Floriano Peixoto, ao fundo do salão de honra, como um sultão ao fundo do seu harém, receberá, com seu eterno balancear de perna e o seu eterno sorriso desconfiado, as homenagens hebdomadárias das odaliscas da legalidade, — deputados, senadores, funcionários e jornalistas, receosos de que a estima do Senhor esqueça os seus nomes, delidos por uma ausência demorada.[8]

Floriano tomara o poder sob o pretexto de defender a Constituição de 1891, mas para a oposição, como se não bastasse o golpe de 23 de novembro, o vice de Deodoro mantinha-se na Presidência indevidamente, uma vez que a Carta Magna previa convocação imediata de eleições no caso de renúncia do presidente eleito antes de decorridos dois anos no poder. Para zombar da hipocrisia do Marechal de Ferro, Bilac colocou-o sob a pele de Tartufo numa paródia da peça de Molière, em que o presidente seduzia a Constituição, colocada sob as vestes de Elmira.[9]Floriano mostrou-se mais franco disfarçado de Hamlet, pois declarou brutalmente à Constituição-Ofélia: “eu nunca te amei”.[10]

No Congresso, um aliado importante de Floriano era o senador Quintino Bocaiúva (1836-1912). Em junho de 1893, Bilac comentou discurso muito aplaudido do parlamentar, para quem o radicalismo dos federalistas era próprio de quem não estava ao lado da razão, porque, caso estivessem, recorreriam às urnas e não às armas. Fingindo inspirar-se na argumentação do senador, com quem dizia concordar, Bilac, ao fazer uma irônica proposta de paz, revelou o sofisma em que se baseava o discurso.

Por que não mandam os federalistas chamar ao Rio Grande do Sul o Sr. José Tomás da Porciúncula, para que ele, na qualidade de governador do Estado revolucionado, presida a uma eleição livre?

É uma boa idéia que dou de graça aos guerreiros meridionais, que não gozam da simpatia do nosso Missionário Quintino.[11]Mandem chamar o Sr. Porciúncula. Encarreguem-no de proceder a uma eleição livre. E verão o que sucede:

Sairá das urnas do Rio Grande eleito governador o Sr. Quintino...[12]

O governador Porciúncula, que dominava as votações no estado do Rio de Janeiro, cuja capital era Niterói, notabilizou-se como um dos principais artífices das eleições a bico de pena da Velha República. Como senador daquele estado, Bocaiúva devia o seu mandato aos sortilégios eleitorais de Porciúncula.

Talvez mais do que Floriano, o principal alvo das farpas do cronista Bilac era o ministro da Marinha, Custódio José de Melo (1840-1902), responsável pelo decisivo apoio militar ao golpe de 23 de novembro e um dos membros mais influentes do governo. O poeta não o perdoava por apontar seus canhões contra a cidade e, ao mesmo tempo, zombava de sua imperícia, pois, na conhecida baía da Guanabara, encalhara o navio Riachuelo e perdera o Solimões e, na única manifestação de hostilidade, atingira com um balázio uma das torres da igreja da Candelária, que “não conspirava, não apoiava o golpe de Estado, não violava a Constituição”.[13]

Em fevereiro de 1893, ao discorrer sobre anunciados exercícios militares da Armada, que seriam apreciados por cidadãos postados nos morros, Bilac zombou mais uma vez de Custódio pela vitória sem combate em 23 de novembro.

Posta ao serviço das conspirações, esta mesma esquadra encalhou. E uma conspiração é sempre cousa séria, mormente quando seguida de uma grande vitória. Pois bem. Aí está uma esquadra, que venceu encalhando. Venceu e não aprendeu nada, a menos que não se queira registrar como um grande progresso na arte da guerra o saber encalhar a tempo. Aí está como ela, metida num transe verdadeiro, em que podia correr perigo a continuidade dos seus cascos e a vida da sua tripulação, saiu dele sem saber batalhar e sem saber como é que venceu.

Agora, porém, neste transe falso, ela que não hesitou em encalhar diante da história, hesitará por certo em encalhar diante dos cavalheiros e das damas que forem, de binóculo aos olhos, apreciar e admirar as suas evoluções de exercício.[14]

Escrita por um freqüentador de cafés e confeitarias, a crônica da Cidade do Rio não poderia ser surda aos boatos que se alastravam pelo Rio de Janeiro. Rumores davam conta de que os ministros Custódio de Melo e Serzedelo Correia deixariam o governo, o que fez Bilac prever a ocorrência de novos motins pela conquista do poder. A história demonstrou que a intuição do poeta era certeira.

Por que motivo, depois de haver por tanto tempo governado Israel, depois de haver por tantas vezes batido os Filisteus da República, os dois Sansões da Legalidade sacudiam as próprias pastas, ameaçando a estabilidade do templo magno da Nação? Pois, que?! teria havido uma Dalila, conspiradora e perversa, que lhes cantarolasse aos ouvidos a ária satânica da tentação, convencendo-os de que deviam deixar crescer os cabelos da sua revolta e da sua sofreguidão?[15]

A convicção de que as sucessivas quarteladas e o governo militar de Floriano arrasaram o país fez com que Bilac escarnecesse de projeto apresentado à Câmara dos Deputados em favor da elegibilidade dos militares,[16]proposta que fora defendida pelo jornal situacionista O País, cujos principais redatores eram militares.

Quando os rumores a respeito de um novo golpe de Estado liderado por Custódio se tornavam mais fortes, Bilac deixou a Cidade do Rio. No mês de julho, não publicou nenhuma crônica, talvez por motivo de doença, pois com essa justificativa faltou a compromisso assumido com seu amigo Artur Azevedo de publicar n’O Álbum “esboço biográfico” de Luís Murat.[17]Seu deodorismo impedia-o de defender Floriano; sua repugnância pelo ingerência dos militares na política não lhe permitia apoiar a aventura golpista de Custódio, cujo desrespeito pelas leis tanto criticara. Sem alternativas, portanto, abandonou, em agosto de 1893, o jornal de Patrocínio, que escolhera combater Floriano a todo custo,[18]para abrigar-se na moderada Gazeta de Notícias, onde publicou sua primeira crônica no dia 22 do mesmo mês. A mudança foi assim saudada por Artur Azevedo:

O ilustre poeta [Olavo Bilac] trocou a Cidade do Rio pela vizinha da esquerda, e eu não tive pena porque — francamente — a política e ele não foram feitos um para o outro. Prefiro-o ali, porque ali o acho mais à vontade, mais alegre, mais espontâneo ...[19]

            Em 24 de outubro de 1893, desafiando a censura do governo,  combatido pela esquadra sublevada desde 6 de setembro, a Cidade do Rio estampou o manifesto de Custódio José de Melo, líder da Revolta. A ousadia custou caro ao jornal; todos os exemplares foram confiscados, a publicação foi suspensa e seus principais jornalistas pediram asilo em navios estrangeiros fundeados na baía.

            Segundo vagas informações de Raimundo Magalhães Jr.,[20]Bilac teria sido preso logo após. Como dessa vez a detenção não foi longa, uma vez que no início de novembro o poeta exilar-se-ia em Minas Gerais, pode-se presumir que as autoridades não conseguiram apurar nenhuma participação do poeta na edição confiscada. No mesmo dia 24, saíra na Gazeta de Notícias uma crônica em que Bilac registrava diálogo mantido com um velho boêmio no cabaré Éden Concert. Embora pudesse ser fruto da imaginação e haver sido redigido com bastante antecedência, o texto era um álibi perfeito, pois relatava acontecimentos da noite anterior, quando a Cidade do Rio fora composta.

            Fazendo largo uso do humor e da ironia, Bilac esboçou caricaturas de Custódio e principalmente de Floriano, que, nas suas crônicas e sátiras, é Fausto, antropófago, menino de colégio, sultão, Tartufo e Hamlet. Ridicularizar Floriano era uma maneira de negar ao “usurpador” a reverência a que somente fazem jus os presidentes legítimos. Atribuir a Floriano — justa ou injustamente, não importa — defeitos de caráter como indecisão constante, falsidade, oportunismo, ambição e falta de compostura corroía a imagem de homem íntegro do Marechal de Ferro. 

 ARTÍFICE DA REGENERAÇÃO NACIONAL

          Após deixar a sua amada Sebastianópolis em procura de abrigo entre as montanhas de Minas,[21]Bilac estabeleceu-se em Ouro Preto, cidade que também recebeu outros exilados como o dramaturgo e artista plástico Emílio Rouéde (1850-1908). Na então capital mineira, Bilac contou com o amparo de políticos deodoristas como Cesário Alvim (1839-1903) e o deputado federal João da Mata Machado (1850-1901) e com a amizade de Afonso Arinos (1868-1916), professor de História do Brasil no Ginásio Mineiro e de Direito Penal na Faculdade Livre de Direito.

            Como já demonstrou Antônio Dimas,[22]o auto-exílio proporcionou a Bilac um fortalecimento de seu nacionalismo e de sua esperança na modernização do país. Recepcionando Afonso Arinos na Academia Brasileira de Letras, Bilac recordou nostalgicamente as pesquisas que juntos fizeram, flanando por Ouro Preto ou encerrados no Arquivo Público Mineiro, mal instalado no rés-do-chão do Palácio de Governo. Sugestionados pela contemplação de ruínas e monumentos antigos e pela leitura de documentos da história colonial, os dois amigos viviam mergulhados no passado, conversando com espectros.[23]

            Do ponto de vista literário, foi fecundo o auto-exílio em Minas, onde Bilac escreveu muitos textos, dos quais alguns foram recolhidos em Crônicas e novelas (1894) e na primeira parte de Crítica e fantasia (1904). Muito provavelmente, a incursão pelo passado nacional presidiu a concepção do poemeto épico O caçador de esmeraldas, recolhido na segunda edição de Poesias (1902) com o subtítulo de “Episódio da epopéia sertanista no XVIIº. século”.

            Em Ouro Preto, o jornalista Bilac também encontrou uma tribuna à sua disposição. Para manter-se politicamente vivo, Cesário Alvim, que fora destituído do governo de Minas Gerais por Floriano, fundou em janeiro de 1894 a Opinião Mineira. Nas páginas desse jornal oposicionista, Bilac publicou artigos, crônicas e poemas como “Primavera” (7 jan. 1894) e “Tédio” (1. fev. 1894), recolhidos mais tarde em Alma inquieta (1902).

            Entre os seus artigos, contavam-se alguns interessantes como “A nova capital”, em que sugeria abertura de concorrência pública para a realização das obras no antigo Curral del Rei (1. fev. 1894), e “Uma liteira”, que foi motivado por um móvel abandonado no cemitério da igreja do Carmo (7 fev. 1894). Dando asas à fantasia, o poeta sonhou com as belas donzelas que a liteira certamente transportara.

            Mas de todos os textos escritos para a Opinião Mineira o mais importante talvez fosse o publicado logo no início de sua colaboração no jornal. Estampado na primeira página do dia 3 de janeiro de 1894, recebeu um título sugestivo: “Uma campanha”.

            O artigo apresentava um diagnóstico sombrio do país e formulava algumas propostas para enfrentar certas mazelas nacionais. O principal problema apontado era a indiferença pela história nacional, que, associada a problemas de outra natureza, colocava em risco a sobrevivência da própria nacionalidade brasileira.

            Um dos reflexos do desprezo dos brasileiros por seu passado era a demolição de prédios antigos de evidente valor histórico. Exemplo citado pelo poeta foi a demolição do chafariz das Marrecas, posto abaixo para permitir a reconstrução do “hediondo quartel dos Barbonos” nas proximidades do Passeio Público. Para que fossem construídos “trambolhos sem arte, sem solidez, sem beleza”, soterrava-se, segundo o poeta, “a última lembrança dos que, bem ou mal, na medida do que puderam, assentaram, suando e penando, na terra virgem do Brasil os alicerces da nossa nacionalidade”.

            Talvez possa causar espanto que o incansável defensor do Bota-Abaixo de Pereira Passos protestasse contra demolições. Observe-se, no entanto, que, em Minas, o poeta criticava a “modernização inconsiderada” e lamentava que o arrasamento das construções se fizesse para encher “as algibeiras de mestres-de-obras sem inteligência nem escrúpulo” e não para, no local criado, “se erguerem edifícios em que se não ofend[essem] as leis da higiene e da arquitetura”. Ora, a Regeneração criou avenidas modernas ladeadas de suntuosos e higiênicos palácios de ferro, mármore e cristal...

            Nas artes, embora identificasse vários avanços recentes como a poesia (parnasiana), que combinava forma perfeita e “ardor tropical de inspiração”, o desenvolvimento da música brasileira, a Escola de Belas Artes, o moderno romance nacional (realista/naturalista) e realizações brilhantes no conto e na crítica, o poeta lamentava que poucos se houvessem dedicado à história da literatura brasileira, que contava com apenas “um ou dois livros incompletos”.

            Quanto à produção literária, aliás, verificava que se perdia “o respeito à tradição”, adotando-se um “português de decadência”, que não seria compreendido por um Manoel Bernardes. Além da admiração pela cultura européia, que acarretava a assimilação de estrangeirismos, outro fator dessa deterioração seriam as sucessivas levas de imigrantes que se instalavam no país.

         São Paulo italianiza-se sem resistência, perdendo tudo, desde o idioma até o próprio sentimento indígena, nessa submissão sem luta a uma raça absorvente. No sul, o quebro suave da formosa língua portuguesa desaparece, abafado pelo vozear gutural dos colonos alemães. 

            A luta pela preservação da língua portuguesa afigurava-se ao poeta decisiva para a nacionalidade brasileira, que não era a dos milhares de falantes das línguas adventícias.

            Apesar de panorama tão preocupante, o poeta conseguiu renovar suas esperanças em Minas, estado que, por preservar as tradições brasileiras, deveria “dar o sinal de alarma em prol da nossa nacionalidade ameaçada” e apresentar ao país “o exemplo da regeneração”.

            As propostas apresentadas no artigo “Uma campanha” eram as mais simples. A primeira delas seria a criação de um museu em que se abrigassem os objetos de arte e de valor histórico que se encontravam espalhados por toda a região. A segunda, seria a organização do Arquivo Público, cujos livros e documentos eram mutilados e roubados pelos consulentes.

            O poeta encerrou seu artigo afirmando que tais iniciativas seriam “um belo serviço prestado à nossa história” e um “meio heróico de, ao menos, salvar do olvido a nossa nacionalidade se de todo se não puder salvá-la da morte”.

            Alceu Amoroso Lima atribuiu a Afonso Arinos, em biografia desse autor, a idéia da fundação de um Arquivo Público em Minas, criado efetivamente em 1895 pelo historiador José Pedro Xavier da Veiga (1846-1900).[24]Entretanto, o artigo de Bilac, se não lhe assegurava a real paternidade da idéia, colocava-o, no mínimo, entre os primeiros defensores da proposta.

            Faz-se necessário reconhecer que, para tantos problemas levantados no artigo, o poeta apresentava poucas e modestas soluções. No entanto, é possível encontrar nas suas ações e obras posteriores esforços para sanar os problemas apontados.

            Como, de acordo com sua visão, a língua portuguesa, último baluarte da nacionalidade, corria o risco de corromper-se definitivamente, Bilac, nas crônicas que escreveu até o fim de sua carreira jornalística (1908), exigiu reiteradamente das autoridades a extensão da alfabetização a todas as regiões e camadas sociais, pois a Escola poderia atuar decisivamente ao impor um padrão lingüístico que fosse observado por todos os brasileiros.

            Para salvar a língua portuguesa e, com ela, a nacionalidade brasileira, Bilac não se restringiu aos protestos e reivindicações pela imprensa, mas se entregou, ora em parceria com o romancista Coelho Neto, ora com o educador Manuel Bonfim, à realização de uma obra didática que fornecesse aos alunos brasileiros modelos de civismo e de emprego da língua portuguesa. Com esse objetivo escreveu Contos pátrios (1894), A terra fluminense (1898), Prática da língua portuguesa (1899), Poesias infantis (1904), Teatro infantil (1905), Através do Brasil (1910) e A pátria brasileira (1911), além de ampliar a Gramática elementar e lições progressivas de composição, de Hilário Ribeiro.

            Para Bilac, nem mesmo aqueles que cultivavam a arte literária respeitavam a língua portuguesa; por isso, ofereceu a seus contemporâneos regras de bem escrever no Tratado de versificação (1905), elaborado com Guimarães Passos (1867-1909).

            Como, segundo sua opinião, a história da literatura brasileira não recebia a devida atenção dos intelectuais, apresentou no Livro de leitura para o curso complementar das escolas primárias (1901), escrito a quatro mãos com Manuel Bonfim, o elenco dos autores “modernos” que julgava dignos de serem lidos e imitados pelos alunos.

            Para combater o desprezo por nossa história, ampliou a Pequena história do Brasil, de Joaquim Maria de Lacerda, e atualizou as Lições de História do Brasil para uso das escolas de instrução primária (1918), de Joaquim Manuel de Macedo.

            Como, ainda segundo Bilac, a nacionalidade brasileira estava ameaçada por raças absorventes, saiu pelo país perorando em favor da regeneração cívica brasileira e do Serviço Militar Obrigatório e liderou, de 1915 até sua morte, a Liga de Defesa Nacional.

            É bem verdade que hoje não se aceita a imposição de uma norma lingüística única a toda uma sociedade e nem mesmo se observam os preceitos estéticos acatados por Bilac, que foram historicamente superados. Da mesma forma, já não se admitem pacificamente lições de civismo e muito menos propostas de redenção nacional a partir das casernas. Reconhece-se, no entanto, a necessidade imperiosa de preservar o patrimônio histórico e artístico nacional, que ainda hoje se encontra ameaçado pela incúria governamental. De qualquer modo, não se pode negar às obras e iniciativas de Olavo Bilac coerência e sinceridade e nem mesmo deixar de reconhecer a persistência com que se dedicou às suas campanhas. 

UMA TRAJETÓRIA COERENTE

            Quando se viu colocado diante do rolo compressor florianista, Bilac não se furtou a criar empecilhos que pudessem sustar a sua marcha irresistível — o que lhe custou a prisão e o exílio. Se oscilasse como pluma ao vento, não lhe seria difícil acompanhar seus amigos Patrocínio e Murat na aventura custodista da Cidade do Rio. Bilac preferiu, no entanto, preservar a sua coerência ideológica transferindo-se para a Gazeta de Notícias, onde não seria constrangido a apoiar atentados às instituições democráticas e ao Estado de Direito. A experiência traumática da repressão talvez explique em parte a aversão que, a partir de seu retorno definitivo ao Rio de Janeiro em julho de 1894, o cronista manifestaria pelos políticos da Velha República, sempre movidos, segundo ele, por interesses escusos ou mesquinhos e sempre dispostos a tudo para permanecer no poder.

            Impedido de expressar-se livremente e permanentemente ameaçado de nova prisão ou castigo ainda pior, Bilac refugiou-se em Minas, cujas tradições e monumentos veneráveis fizeram-no esquecer por momentos a convulsionada Capital Federal e refletir sobre os destinos do país. Na Opinião Mineira, lançou uma campanha pela regeneração nacional, à qual se dedicou até os últimos dias de vida.

 BIBLIOGRAFIA

A. Crônica fluminense.  O Álbum, Rio de Janeiro, n. 26, p. 201, jul. 1893.

___. Crônica fluminense.  O Álbum, Rio de Janeiro, n. 35, p. 274, ag. 1893.

BILAC, Olavo.  A nova capital.  Opinião Mineira, Ouro Preto, p. 2, 3. col., 1. fev. 1894.

___.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 4. col., 10 ag. 1893. 

___.  Primavera.  Opinião Mineira, Ouro Preto, p. 2, 2.-3. col., 7 jan. 1894.

___.  Tédio.  Opinião Mineira, Ouro Preto, p. 1, 3.-4. col., 1. fev. 1894.

___.  Uma campanha.  Opinião Mineira, Ouro Preto, p. 1, 3.-5. col., 3 jan. 1894.

___.  Uma liteira.  Opinião Mineira, Ouro Preto, p. 2, 1.-2. col., 7 jan. 1894.

___.  Obra reunida. Org. e int. de Alexei Bueno.  Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996.

BILAC, Olavo, Azeredo, Carlos Magalhães de.  Sanatorium.  São Paulo: Clube do Livro, 1977.

BILAC, Olavo, BONFIM, Manuel.  Através do Brasil. Prática da língua portuguesa. Livro de leitura para o curso médio das escolas primárias.  Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1910.

___., ___.  Livro de leitura para o Curso Complementar das escolas primárias.  Rio de Janeiro: Laemmert, 1901.

___., ___.  Prática da Língua Portuguesa. Livro de composição para o Curso Complementar das escolas primárias.  Rio de Janeiro: Laemmert, 1899.

BILAC, Olavo, COELHO NETO, Henrique Maximiano.  Contos pátrios.  Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1894.

___., ___.  A pátria brasileira. Educação moral e cívica — para alunos de escolas primárias.  Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1911.

___., ___.  Teatro infantil.  Comédias e monólogos em prosa e verso.  Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1905.

___.,  ___.  A terra fluminense. Educação cívica.  Rio de Janeiro: Imprensa Nacional, 1898.  74 p.

BILAC, Olavo, PASSOS, Guimarães.  Tratado de versificação: a poesia no Brasil, a métrica, gêneros literários. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1905.

___.,  ___., BANDEIRA JR.  Guide des États Unis du Brésil; système Boedecker. Trad. de Roberto Gomes.  Rio de Janeiro: Bilac, Passos & Bandeira, 1904.

CANDIDO, Antonio.  Prefácio.  In: LAJOLO, Marisa.  Usos e abusos da literatura na Escola. Bilac e a literatura escolar na República Velha.  Rio de Janeiro: Globo, 1982.  p. 9-12.

CARONE, Edgard.  A República Velha — II (Evolução Política). 4. ed.  São Paulo: Difel, 1983.

DIMAS, Antônio. Arinos, mestre de Bilac.  I Seminário Internacional de História da Literatura, 1995, Porto Alegre.  Cadernos do Centro de Pesquisas Literárias da PUCRS: Anais...  Porto Alegre: Curso de Pós-Graduação em Letras, Instituto de Letras e Artes, PUCRS, v. 3, n. 1, abr. 1997.  p. 61-7.

___.  Bilac, o jornalista.  São Paulo, 2000.  5 v.  Tese (Livre-Docência).  Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

FANTASIO.  Crônica.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 2, 1. col., 27 fev. 1893.

___.  Crônica.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 16 jun. 1893.

___.  Crônica.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 2.-3. col., 22 maio 1893.

___.  Crônica.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 4. col., 10 fev. 1893.

___.  Crônica. A espada de Breno.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 2.-3. col., 27 jun. 1893.

___.  Crônica. A propósito do Tartufo.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 2.-3. col., 15 jun. 1893.

___.  Crônica. Tradução inédita do Hamlet.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 2.-3. col., 23 jun. 1893.

___.  Crônica. As urnas e o Missionário.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 2, 1.-2. col., 8 jun. 1893.

LACERDA, Joaquim Maria de.  Pequena história do Brasil.  Rio de Janeiro: Garnier, s. d.  Obra ampliada por Olavo Bilac.

MACEDO, Joaquim Manuel de.  Lições de História do Brasil para uso das escolas de instrução primária.  Rio de Janeiro: Garnier, 1918.  Obra revista e atualizada por Olavo Bilac.

MAGALHÃES JR., Raimundo.  Olavo Bilac e sua época.  Rio de Janeiro: Americana, 1974.  p. 156.

O. B.  Os sete dias.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 26 mar. 1893.

___.  Os sete dias.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 26 fev. 1893.

___.  Os sete dias.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 17 abr. 1893.

___.  Os sete dias santos.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 1. e 2 abr. 1893.

___.  Os sete dias vermelhos.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 5 mar. 1893.

RIBEIRO, Hilário.  Gramática elementar e lições progressivas de composição.  Rio de Janeiro: Garnier, s. d.  Obra ampliada por Olavo Bilac.

RODRIGUES, José Honório, SEITENFUS, Ricardo A. S.  Uma história diplomática do Brasil (1531-1945).  Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995.

SIMÕES JR., Alvaro S.  A sátira do Parnaso. Estudo da poesia satírica de Olavo Bilac publicada em periódicos de 1894 a 1904.  Assis, 2001.  Tese (Doutoramento).  Faculdade de Ciências e Letras, Universidade Estadual Paulista.
 

[1]CANDIDO, Antonio.  Prefácio.  In: LAJOLO, Marisa.  Usos e abusos da literatura na Escola. Bilac e a literatura escolar na República Velha.  Rio de Janeiro: Globo, 1982.  p. 9.

[2]Sobre o atribulado início da República no Brasil, v.: CARONE, Edgard.  A República Velha — II (Evolução Política). 4. ed.  São Paulo: Difel, 1983.  p. 25-148.

[3]FANTASIO.  Crônica.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 2, 1. col., 27 fev. 1893.

[4]O. B.  Os sete dias vermelhos.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 5 mar. 1893.

[5]FANTASIO.  Crônica.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 16 jun. 1893.

[6]O. B.  Os sete dias.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 26 mar. 1893.

[7]O. B.  Os sete dias santos.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 1. e 2 abr. 1893.

[8]FANTASIO.  Crônica.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 2.-3. col., 22 maio 1893.

[9]FANTASIO.  Crônica. A propósito do Tartufo.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 2.-3. col., 15 jun. 1893.

[10]FANTASIO.  Crônica. Tradução inédita do Hamlet.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 2.-3. col., 23 jun. 1893.

[11]A Quintino Bocaiúva Bilac insistentemente atribuía o codinome de Missionário Argentino porque, quando encarregado pelo governo provisório de defender os interesses do Brasil em disputa territorial com a Argentina, o republicano histórico assinou em Buenos Aires o Tratado das Missões (posteriormente rejeitado pelo Congresso) pelo qual parte da área de Palmas (PR) seria cedida ao país vizinho.  V. RODRIGUES, José Honório, SEITENFUS, Ricardo A. S.  Uma história diplomática do Brasil (1531-1945).  Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995.  p. 232-41.

[12]FANTASIO.  Crônica. As urnas e o Missionário.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 2, 1.-2. col., 8 jun. 1893.

[13]O. B.  Os sete dias.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 26 fev. 1893.

[14]FANTASIO.  Crônica.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 4. col., 10 fev. 1893.

[15]O. B.  Os sete dias.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 1.-2. col., 17 abr. 1893.

[16]FANTASIO.  Crônica. A espada de Breno.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 2.-3. col., 27 jun. 1893.

[17]A. Crônica fluminense.  O Álbum, Rio de Janeiro, n. 26, p. 201, jul. 1893.

[18]A redação assinalou a defecção sofrida nestes termos: “Temos a grande mágoa de comunicar aos nossos leitores que estamos privados da fulgurante prosa de Olavo Bilac. Não se quebram porém a nossa solidariedade política, nem a nossa amizade. / Acreditamos mesmo que o impedimento do nosso ilustre amigo não será longo e que teremos o ensejo de anunciar aos nossos leitores que a Cidade do Rio ainda se ufanará de vê-lo ocupando o lugar, que ele tanto elevou pelo seu primoroso talento e pela sua inquebrantabilidade cívica”.  Olavo Bilac.  Cidade do Rio, Rio de Janeiro, p. 1, 4. col, 10 ag. 1893. 

[19]A. Crônica fluminense.  O Álbum, Rio de Janeiro, n. 35, p. 274, ag. 1893.

[20]MAGALHÃES JR., Raimundo.  Olavo Bilac e sua época.  Rio de Janeiro: Americana, 1974.  p. 156.

[21]No romance-folhetim Sanatorium,  publicado na Gazeta de Notícias de 11 de novembro a 12 de dezembro de 1894 sob o pseudônimo Jaime de Ataíde, explicar-se-ia o êxodo: “... muitos que nem o calor nem as granadas obrigariam a fugir, apontados pelas suas doutrinas suspeitas, pelas suas simpatias e antipatias livremente manifestadas, saíram do Rio açodadamente, demandando sítios menos agitados, em que não fosse delito pensar e falar com independência”. Essa narrativa, escrita a quatro mãos por Olavo Bilac e Carlos Magalhães de Azeredo (1872-1963), foi publicada em volume pelo Clube do Livro de São Paulo em 1977.

[22]Em Minas. In: DIMAS, Antônio.  Bilac, o jornalista.  v. 1, p. 64-79.  Tese (Livre-Docência).

[23]Na Academia Brasileira.  Discurso pronunciado na sessão solene de recepção do Sr. Afonso Arinos.  In: BILAC, Olavo.  Obra reunida.  Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1996.  p. 531-4.  Esse texto encerra o livro Crítica e fantasia (1904).

[24]Apud DIMAS, Antônio.  op. cit.  v. 1, p. 68-9. 






filtre por mês



 último lançamento
próximos cursos
27 a 28.05.2013
Seminário Internacional - Direitos Autorais: tendências e desafios contemporâneos

Inscreva-se
03 a 07.06.2013
Produção gráfica editorial - Junho 2013

Inscreva-se
10 a 11.06.2013
Montagem e gestão de livrarias - para empreendedores e profissionais do mercado - Junho 2013

Inscreva-se