SINOPSE:
O presente trabalho tem como objetivo não apenas apresentar e discutir as nuances
relativas ao conceito de adaptação, mas, sobretudo, sua relação inevitável com a
prática tradutória. Para tanto, o percurso teórico empreendido vem explorar os aspectos
complexos que caracterizam a própria concepção de tradução na pós-modernidade,
avaliando a problemática da identidade da tradução perante outras formas de
reescritura. Nesse sentido, o trabalho aborda as relações entre tradução e adaptação,
refletindo sobre os limites em que essas reescrituras se inscrevem. Têm-se como
objetivo, avaliar em que medida elas não se excluiriam e de que modo suas fronteiras
são concebidas no discurso de tradutores, adaptadores e teóricos da tradução.
ORELHAS:
As fronteiras entre tradução e adaptação no campo literário nunca foram nítidas, para
desespero daqueles que precisam de rótulos, de categorias, de definições precisas,
essencialistas, generalizantes. Ao longo dos séculos, alguns conceitos foram cunhados,
e outros apropriados, mas os objetos dessas tentativas de apreensão conceitual
mostravam-se cada vez mais rebeldes, instáveis, (con)fundindo-se e entrecruzando-se. O
trabalho de Lauro Maia Amorim revisita essa questão com uma proposta ousada, na medida
em que não promete respostas definitivas nem o fim da dúvida, da ambivalência. A via
que Lauro explora é outra: ele procura mostrar a possibilidade de se ampliar o espaço
de questionamento acerca do próprio conceito de tradução e de sua relação com a
dimensão do discurso, das instituições e, principalmente, com o papel desempenhado por
tradutores e adaptadores. Em suas palavras, "os dois conceitos não são indistintos, mas
inscritos na própria diversidade que possibilita a existência (contraditória) de
diferentes concepções de textualidade e de tradução ao longo da história". Trata-se de
reflexão instigante que subverte expectativas e constitui uma inegável contribuição a
um dos debates que mais fascinam a todos aqueles que pensam ou praticam a tradução.
(MARCIA A. P. MARTINS)
Quarta capa
O que significa "adaptar" uma obra? Para muitos, trata-se de um processo de
simplificação, de empobrecimento, com o fim de oferecer material mais acessível,
especialmente para um público jovem. A tradução, por sua vez, garantiria maior
fidelidade à configuração formal e estética da obra traduzida. Este livro aceita o
desafio de esclarecer as relações entre tradução e adaptação, tema ainda pouco
explorado, talvez em razão dessa separação radical entre ambas, que confere à segunda
um caráter mais livre, envolvendo inclusive uma discussão da questão da autoria.
Sobre o autor
Lauro Maia Amorim é mestre em Lingüística Aplicada pelo Instituto de
Biociências, Letras e Ciências Exatas da UNESP, câmpus de São José do Rio Preto - SP. É
docente do curso de bacharelado em Letras da Unilago (União das Faculdades dos Grandes
Lagos), na mesma cidade.
SUMÁRIO:
Prefácio
Introdução
Apresentação
Parte I - Encruzilhadas da identidade
1 Tradução e adaptação: reescrevendo os limites da transfressão
2 Tradução: limites conceituais
3 Traduzir, adaptar: deslocamentos, ambivalências e conflitos
Parte II - Encruzilhadas da textualidade
4 A tradução e a adaptação dos clássicos: lendo a voz do contador
5 As reescrituras de Alice: entre a identidade e a diferença, travessias
6 As reescrituras de Kim, de Rudyard Kipling: o colonialismo traduzido e adaptado
Identidade, diferença, encruzilhadas: considerações finais
Referências bibliográficas
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