SINOPSE:
Obra indispensável e singular na crítica da administração, proporciona subsídios para a
compreensão do capitalismo contemporâneo. De leitura proveitosa a todos que valorizam o
trabalho humano, o autor apresenta uma análise crítica do papel das grandes corporações
no Mercado - eixo da grande reorganização do capitalismo após a crise econômica mundial
dos anos 70. Aborda: a nova exploração do trabalho que mudou as formas disciplinares do
capitalismo; a internacionalização da economia na tendência da condução das políticas
governamentais; as atividades artísticas e culturais através do mecenato; a decisão
sobre os rumos da pesquisa científica, o trabalho e suas teorias participativas, como a
co-gestão, ideologia que procura encobrir novas práticas de exploração, incidindo sobre
a criatividade social da classe trabalhadora; a questão do ser político do trabalhador
que as políticas de Recursos Humanos das empresas querem subjugar e neutralizar,
recorrendo à psicologia e à sociologia, que buscam reduzir o político ao psicológico.
ORELHAS:
Quem quiser compreender o capitalismo contemporâneo, pode começar com a leitura desta
obra de Maurício Tragtenberg, que, já em 1980, faz a análise crítica do que viria a ser
o eixo em torno do qual se realizaria a grande reorganização do capitalismo após a
crise econômica mundial dos anos 70 e que só assumiria contornos mais definidos nos
anos 90: o papel central das grandes corporações na condução da vida social, a que hoje
se dá o nome de Mercado; a separação entre propriedade e controle do processo
econômico, conferindo aos gestores tecnocratas um poder econômico e político inaudito;
e as novas formas de exploração do trabalho, calcadas, cada vez mais, no componente
intelectual do trabalho, provocando uma mudança substantiva nas formas disciplinares do
capitalismo. Logo no primeiro capítulo, Tragtenberg apresenta um quadro social e
político, em que a "internacionalização da economia comandada pelas grandes
corporações, se faz e se afirma acima dos Estados nacionais", levando-as a "influir na
totalidade do social", na medida em que, nos diz o autor, elas tendem a conduzir as
políticas governamentais, as atividades artísticas e culturais através do mecenato e a
decidir sobre os rumos da pesquisa científica. Com base na obra dos primeiros ideólogos
do capitalismo contemporâneo, P. Drucker, A. Berle, E. Mason, entre outros,
Tragtenberg, faz a crítica das forças sociais e da ideologia que, desde os anos 50, já
vinham se desenvolvendo e que se mostraram decisivas na conformação das formas atuais
do capitalismo. Na esfera do trabalho, são as teorias participativas, incluindo a co-
gestão, detalhadamente analisada pelo autor, a base da ideologia que busca encobrir
novas práticas de exploração, incidindo, sobretudo, sobre a criatividade social da
classe trabalhadora. Mas Tragtenberg não pára aí, vai além, introduzindo a questão do
ser político do trabalhador que as políticas de Recursos Humanos das empresas querem
subjugar e neutralizar, recorrendo à psicologia e à sociologia que, por elas
instrumentalizadas, buscam reduzir o político ao psicológico, entendido este como
expressão de idiossincrasias pessoais. Grande obra não é aquela que esgota um dado
tema, ainda que isso fosse possível. Tampouco é aquela que se ocupa das questões que as
mídias jornalística e acadêmica definem como importantes. A obra, assim como o autor,
da qual não podemos prescindir, é aquela que antecipa análises acerca de formas sociais
ainda embrionárias e que elege como objeto a ser investigado aquilo que, em geral,
sequer foi ainda percebido como problema. Se assim é, então temos em Administração,
poder e ideologia um autor e uma obra imprescindíveis. Registro aqui o meu tributo a
este homem (e à sua obra), de quem sou uma admiradora constante, pois foi ele, afinal,
quem me conduziu à dúvida. (Lúcia Bruno)
Quarta capa
No livro Administração, poder e ideologia, de Maurício Tragtenberg, o leitor
depara com o percurso completo da atuação da grande empresa em nosso tempo. Os
executivos, os dirigentes, a formação na corporação empresarial, sua filantropia e seu
paternalismo, sua "alma" e "função social", o uso da psicologia e da sociologia
corporativas são considerados de forma erudita e clarividente, com antecipação de
décadas em relação a muitas discussões hoje em voga. Estas considerações fundam-se em
fontes seguras, plurais e específicas. Nas páginas do livro acham-se também as origens
e os funcionamentos empresariais da co-gestão e do participacionismo, com seus
princípios e conselhos na Alemanha, na Bélgica e na França. Sobre a co-gestão e o
participacionismo há importante bibliografia e documentos legais anexos, como a "Lei
Constitucional Alemã" e a "Lei de encorajamento à constituição de um capital pelos
trabalhadores". Causam forte impressão, pela atualidade da pesquisa e por sua
amplitude, os capítulos relativos à exploração do t
SUMÁRIO:
Apresentação
1 a ideologia administrativa das grandes corporações
2 A co-gestão e o participacionismo ou "Alice no país das maravilhas"
Manipulação das contradições
Co-gestão e participação
Conclusões
Programa mínimo da Confederação dos Sindicatos Alemães
Bélgica: a prática "participacionista"
França: participacionismo simbólico e julgamento sobre a co-gestão
Apêndice
3 Exploração do trabalho I
Greves espontâneas no outono de 1969, na República Federal Alemã, e a lei de 1952,
sobre contratos coletivos
A lei de 1951 sobre a co-gestão operária nos conselhos de administração e na direção
das empresas mineradoras e siderúrgicas
4 Exploração do trabalho II
Brasil
Argentina
Bolívia
Conclusão
Referências bibliográficas
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