SINOPSE:
Este livro testemunha alguns dos desenvolvimentos artísticos mais recentes, tal como a
ciberarte, a poesia, o teatro interativo, a arte genética e a arte transgênica. Nesse
horizonte estético, aparecem visões tal como aquela de Roy Ascott, que prevê o advento
de "mídias úmidas", caracterizadas por simbioses pós-biológicas entre a telemática, a
biotecnologia e a nanoengenharia. É por tudo isso que as documentações contemporâneas e
as visões futuristas deste livro serão capazes de conduzir os leitores além do limiar
da cibercultura até os confins do horizonte de uma estética pós-biológica e uma cultura
pós-humana.
ORELHAS:
Depois do seu muito bem-sucedido livro A arte no século XXI: a humanização das
tecnologias (UNESP, 1997), Diana Domingues nos apresenta nesta nova coletânea um
panorama ainda mais vasto e igualmente vanguardístico, que amplia os temas do livro
anterior, a ciberarte e a ciberestética, em duas direções aparentemente opostas, a
ciência e a vida cotidiana. De fato, Arte e vida no século XXI: tecnologia, ciência e
criatividade é um campo de pesquisa extremamente amplo, cuja abordagem, à primeira
vista, parece demasiadamente ambiciosa, mesmo para o time internacional e nacional de
autores que a organizadora reuniu para este livro. Porém, nos trabalhos aqui
organizados se manifesta uma complementaridade tão convincente quanto inesperada, pois
eles dão evidência de que, no início do século XXI, a ciência, a arte e o cotidiano
estão mais intimamente ligados do que nunca. A visão do século XXI que o livro nos
apresenta é a de uma era pós-biológica, em que seres pós-humanos interagem num tecno-
ambiente, acoplados a máquinas e redes digitais. A vida cotidiana já não é mais o real,
nem o virtual: ela virou uma realidade mista, na qual seres orgânicos entram em
simbioses com vidas artificiais e máquinas complexas, que começam a se auto-organizar.
No cotidiano, tais misturas aparecem em interações de seres vivos com tecnologias
sensoriais e reativas, também aparecem em robôs, que reconhecem a fala, as emoções e os
gestos humanos, numa computação ubíqua, às vezes "vestível", que permite vigilância e
sensoriamento remoto. Finamente, manifestam-se em casas, auto-estradas e até em
materiais inteligentes. As profundas transformações causadas por esses ambientes
inteligentes e interativos e pelas interações comunicativas no ciberespaço doméstico e
global resultam numa mutação antropológica, em que o corpo humano se transforma num
corpo biocibernético e os seres pós-humanos, em vez de se tornarem meras máquinas
interligadas, começam a gerar novos rituais comunicativos, nos quais os dispositivos
são microcâmeras, sensores de presença, ciberluvas e cibercapacetes. A arte da
vanguarda, que se une às hipertecnologias do século XXI, dá as suas próprias respostas
a questões estéticas levantadas pela crise da representação permanente desde a
Revolução Industrial no penúltimo século. Os leitores deste livro se tornam testemunhas
dos desenvolvimentos artísticos mais recentes, tal como ciberarte, poesia e teatro
interativos, arte genética e arte transgênica. Nesse horizonte estético, aparecem
visões tal como aquela de Roy Ascott, que prevê o advento de "mídias úmidas",
caracterizadas por simbioses pós-biológicas entre a telemática, a biotecnologia e a
nanoengenharia. É por tudo isso que as documentações contemporâneas e visões futuristas
deste livro serão capazes de conduzir os leitores além do limiar da cibercultura até os
confins do horizonte de uma estética pós-biológicas e uma cultura pós-humana. Winfried
Nöth.
SOBRE OS AUTORES
ALLEN, Rebecca - Artista midiática reconhecida internacionalmente e inspirada pelo
potencial da tecnologia avançada, pela estética do movimento e pelo estudo do
comportamento. Recebeu várias encomendas de trabalhos para a Europa e os EUA, incluindo
instalações interativas, filmes animados por computador e performances multimídia ao
vivo. Autora de The Bush Soul, instalação de arte interativa imersiva que explora a
presença humana num mundo de vida artificial. Cria ambientes onde é possível coexistir
em múltiplas realidades, rompendo as fronteiras entre a realidade física e a virtual.
Cursou bacharelado na Rhode Island School of Design e mestrado no Instituto de
Tecnologia de Massachusetts (MIT). Dentre os prêmios que recebeu estão um Emmy,
por "Destaque Individual", e o prêmio japonês Nicograph, por "Excelência Artística e
Técnica".
ANDERS, Peter - Arquiteto, educador e teórico de design da informação. Publicou sobre
arquitetura d
SUMÁRIO:
Apresentação
Arte, vida, ciência e criatividade com as tecnologias numéricas
1 A arquitetura da inteligência: interfaces do corpo, da mente e do mundo
Derrick de Kercklove
2 A Segunda interatividade. Em direção a novas práticas artísticas
Edmond Couchot, Marie-Hélène Tramus, Michel Bret
3 Tornar-se os primitivos do futuro?
René Berger
4 Ciberespaço antrópico: definição do espaço eletrônico a partir das leis fundamentais
Peter Anders
5 As artes do corpo biocibernético
Lucia Santaella
6 A vida com as interfaces da era pós-biológica: o animal e o humano
Diana Domingues
7 Ser e fazer sobre a tela
Louise Poissant
8 Arte como ciência: ciência como arte
Nina Czegledy
9 A arte como pesquisa - A importância cultural da pesquisa científica e o
desenvolvimento tecnológico
Stephen Wilson
10 Sobre o futuro da arte e da ciência através da inventividade humana
José-Carlos Mariátegui
11 Entre arte e ciência: tecnologia de internet e arte baseada na rede
Niranjan Rajah
12 Práticas criativas e o projeto de software
Colin Beardon
13 Arte como um sistema vivo: trabalhos de arte interativa de Sommerer e Mignonneau
Christa Sommerer e Laurent Mignonneau
14 Ambientes virtuais multiusuário
Gilbertto Prado
15 Pensar diferente: uma visão sobre a arte contemporânea japonesa com mídias digitais
Machiko Kusahara
16 Expressão de emoção , inconsciência e tecnologia
Naoko Tosa
17 A arte da rede
Ollivier Dyens
18 Quando a onça se deita com a ovelha: a arte com mídias úmidas e a cultura pós-
biológica
Roy Ascott
19 Novas imagens da vida - Realidade virtual e arte genética
Oliver Grau
20 Histórias de desaparecimento/desaparecimento de histórias. A efemeridade das mídias
digitais como rastros da história.
Patrick Lichty
21 The Bush Soul e Coexistence: duas obras de arte que exploram a presença humana, a
vida artificial e a realidade mista (mixed reality) usando o Sistema Emergente
Rebecca Allen
22 Homem artista, deus criador ou feiticeiro ciborgue?
Suzete Venturelli
23 Inteligência e autonomia
Ted Krueger
Sobre os autores
Índice remissivo
|