SINOPSE:
Peter Burke em A arte da conversação oferece uma importante contribuição aos estudos de
história social da linguagem, um domínio relativamente novo que vem provocando um vivo
debate interdisciplinar. Toma como ponto de partida os trabalhos dos sociolingüistas e
procura entender as transformações da língua à luz do estudo da sociedade, tratando a
língua como uma parte inseparável da História Social.
ORELHAS:
A arte da conversação representa uma significativa contribuição para a história social
da linguagem, um domínio relativamente novo, que tem provocado vivo debate
interdisciplinar nos últimos anos. Peter Burke parte do trabalho que vem sendo
desenvolvido pelos sociolingüistas, mas submete os seus resultados ao crivo de sua
própria metodologia e da sua erudição de grande historiador. Como os sociolingüistas,
preocupa-se com as variações da língua, segundo a diversidade dos interlocutores, dos
assuntos tratados e do meio cultural em que ela se exercita. Mas é inteiramente nova a
relevância conferida à dimensão histórica - daí passar a entender a língua como um
elemento inseparável da História Social. No primeiro capítulo, é delineada e
fundamentada a abordagem teórica privilegiada pelo autor. Nas partes subseqüentes, as
hipóteses levantadas são desenvolvidas e exemplificadas pelo estudo concreto de
ocorrências históricas, em geral situadas no início da época moderna.
O vivo e intenso papel desempenhado pelo uso do latim, já com a Idade Média em franco
declínio, é estudado de forma surpreendente. A seguir, outro ensaio destaca a
importância do uso dessa língua, pelas elites dirigentes, em uma Itália politicamente
esfacelada. Foi um período histórico muito fértil na produção de manuais sobre a arte
da conversação e o autor nos mostra que eles têm muito mais a nos oferecer que simples
preceitos de etiqueta. O volume se encerra com um magistral estudo sobre o silêncio
como forma de conversação e as suas variações segundo o lugar, as circunstâncias ou as
pessoas envolvidas. Os textos aqui reunidos são de grande interesse para estudantes e
estudiosos de História Social, História da Cultural, Lingüística, Sociologia da
Linguagem e Etnologia da Comunicação.
Quarta capa
A nova história sociocultural tem sido freqüentemente criticada pelo fato de
negligenciar a política e o poder. Os exemplos que apresentamos indicam que não há
necessidade dessa negligência, e que a história da linguagem é uma área na qual
historiadores políticos, culturais e sociais podem e devem juntar as suas forças.
Peter Burke
Sobre o autor
PETER BURKE - trabalha com História Cultural na Universidade de Cambridge, Inglaterra,
e mantém estreito relacionamento com o mundo universitário brasileiro, participando de
cursos e reuniões científicas. Publicou entre outras as seguintes obras: Sociology and
History, A Study of Seventh Century Elites, The Italien Renaissance: Culture and
Society in Italy, History and social Theory e, em colaboração com roy Porter, Language,
Self and Society: A Social History of Language. No Brasil, foram editadas: Cultura
Popular na Idade Moderna, pela Companhia das Letras; Veneza & Amsterdã, pela Editora
Brasiliense; A fabricação do Rei, pela Jorge Zahar Editores; A Escola dos Annales, A
Escrita da História e, com Roy Porter, Linguagem, Indivíduo e Sociedade. História
social da linguagem, pela Editora UNESP.
SUMÁRIO:
Prefácio
Capítulo 1
A história social da linguagem
Capítulo 2
"Heu domine, adsunt turcae": esboço para uma história social do latim pós-medieval
Capítulo 3
Língua e identidade no início da Itália moderna
Capítulo 4
A arte da conversação no início da Europa moderna
Capítulo 5
Anotações para uma história social do silêncio no início da Europa moderna
Bibliografia
Índice remissivo
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