SINOPSE:
O ensino de ofícios industriais e manufatureiros passou a ser defendido como um dos
meios de integração do proletariado na sociedade moderna, durante as primeiras décadas
do Brasil republicano. As escolas profissionais buscaram os jovens que tivessem vocação
e aptidão para os ofícios manuais. Passou-se à aprendizagem sistemática (ao
taylorismo), em substituição à aprendizagem espontânea (como o artesanato). O autor
analisa as iniciativas públicas e privadas, confessionais e laicas de criação de
instituições de ensino de ofícios, incluindo as que prepararam o caminho para as
atuais. Entre elas, as escolas ferroviárias paulistas, nas quais se encontram os
antecedentes do Senai; e as escolas federais de aprendizes artífices, matrizes dos
atuais Cefets. Juntamente com os títulos O ENSINO DE OFÍCIOS ARTESANAIS E
MANUFATUREIROS NO BRASIL ESCRAVOCRATA e O ENSINO PROFISSIONAL NA IRRADIAÇÃO DO
INDUSTRIALISMO, integra a trilogia do mesmo autor, Luiz Antônio Cunha, professor da
titular de Educação Brasileira da UFRJ. (Co-edição: Flacso)
ORELHAS:
Nas primeiras décadas do Brasil republicano, o ensino de ofícios industriais e
manufatureiros ganhou um novo e importante significado. Sem deixar de ser prescrito
como reformador de delinqüentes, ele passa a ser defendido como um dos meios
de "integração do proletariado na sociedade moderna". Trata-se de uma transformação da
força de trabalho, impulsionada pelo novo panorama econômico que se mistura a um legado
deixado pelo Império, moldando o processo educacional das classes operárias nos
primórdios da industrialização brasileira. Luiz Antônio cunha realiza aqui uma
reconstrução de natureza sociológica e histórica, percorrendo os três processos
(imigração estrangeira, urbanização e industrialização) que determinaram a estrutura
social e econômica deste período. Isso nos permite uma compreensão abrangente de como a
questão educacional se insere nessa fase da história do país e de quais matrizes
ideológicas estão em jogo no debate sobre os meios de formar o trabalhador e de motiva-
lo para o trabalho, sem permitir o desenvolvimento de idéias contrárias à ordem
política vigente. Pois esse é também o momento em que surgem os movimentos operários,
bem como as reivindicações trabalhistas, novidade que assusta a classe dominante. Os
estrangeiros são apontados como os responsáveis pela "inoculação de idéias exóticas", e
por esse motivo cresce a preocupação com a formação de uma força de trabalho
assalariada composta por "nacionais". Este livro aborda os aspectos mais relevantes que
moldam tal pensamento institucional e as iniciativas dele derivadas, o que nos
possibilita entender como é formado o corpo de trabalhadores especializados, a mudança
de objetivos do ensino profissionalizante e o surgimento de um novo tipo de intelectual
(o especialista em ensino profissional) e o processo de substituição da educação manual
manufatureira para os padrões de fábrica.
Quarta capa
Nas primeiras décadas do Brasil republicano, o ensino de ofícios industriais e
manufatureiros ganhou um novo e importante significado. Sem deixar de ser prescrito
como reformador de delinqüentes, passou a ser defendido como um dos meios
de "integração do proletariado na sociedade moderna". Em vez de buscar aprendizes só
entre os "desfavorecidos da fortuna", as escolas profissionais preferiram os jovens que
tivessem vocação e aptidão para os ofícios manuais, relevadas por testes psicotécnicos.
No lugar da aprendizagem espontânea - como a praticada no artesanato -, passou a
vigorar a aprendizagem sistemática sintonizada como taylorismo. Na reconstrução
histórica e sociológica desse segmento da educação brasileira, Luiz Antônio Cunha
identificou e analisou as iniciativas públicas e privadas, confessionais e laicas de
criação de instituições de ensino de ofícios, incluindo as que prepararam o caminho
para as atuais. Entre elas estão as escolas ferroviárias paulistas, nas quais se
encontram os antecedentes do Senai; e as escolas federais de aprendizes artífices,
matrizes dos atuais Cefets. O autor dá especial destaque ao pensamento e à política de
Anísio Teixeira, quando secretário da Educação do Distrito Federal (19320-1935). Em
meio a idéias e práticas de tantos, que reforçaram e celebraram a dualidade escolar -
uma escola para o povo, outra para elite -, foi sob a licença do educador baiano que se
fez, em nosso país, a primeira tentativa de superar a reprodução escolar da divisão
entre o trabalho manual e o trabalho intelectual.
Sobre o autor
LUIZ ANTÔNIO CUNHA - É mineiro de nascimento, paulista de criação e
carioca por adoção. Sua vida profissional tem sido feita em instituições de ensino e
pesquisa, como a PUC/RJ, a FGV, a Unicamp, a UFF e a UFRJ, onde é, atualmente,
professor titular de Educação Brasileira. Como contraponto desta trilogia sobre a
educação profissional, o autor escreveu outra, sobre a educação
SUMÁRIO:
Apresentação
Introdução
1 Estado, igreja e oficina
O Instituto João Alfredo
Preservação e correção
As escolas salesianas
2 As escolas de aprendizes artífices
Localização no espaço econômico e político
Estrutura e funcionamento do sistema
Análise quantitativa
3 São Paulo: oficina e escola
O Liceu de Artes e Ofícios
As escolas ferroviárias
A rede estadual
4 Rio de Janeiro: laboratório de reformas
A escola do trabalho (1928)
A escola técnica secundária (1932)
A fragmentação vertical e horizontal (1937)
5 Ensino profissional em nova pauta
Projetos parlamentares (1915-1927)
O "inquérito" de Fernando de Azevedo (1926)
O Manifesto dos Pioneiros (1932)
Referências bibliográficas
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