SINOPSE:
A autora revisita a obra de Oliveira Vianna, intelectual estigmatizado por suas
posições controversas, com o intuito de buscar o bacharel em Direito, preocupado com
questões jurídicas e constitucionais, que se lança num trabalho de cientista social com
a convicção, amplamente aceita na primeira metade do século XX, de que a situação
presente, e os problemas econômicos, políticos e sociais do Brasil só seriam
corretamente equacionados se sua história fosse bem analisada, desde os primórdios da
colonização. Nesse sentido, traça um preliminar e rápido percurso pela questão da
tessitura das identidades nacionais no século XIX, dado seu caráter amplo e recorrente
no âmbito do universo de nossa "cultura ocidental".
ORELHAS:
O título O charme da ciência e a sedução da objetividade enfatiza o lado sedutor e
sensível do conhecimento dito científico. Aponta para a racionalidade como marca
incisiva do pensamento ocidental, característica constante de sua cultura que, de forma
radical, informa os diferentes modos de apreensão e compreensão do mundo, pouco espaço
deixando para a dimensão da sensibilidade e das subjetividades. Stella Bresciani
apresenta, neste livro, o resultado de alentada pesquisa, trajetória decorrente da
decisão de enfrentar e confrontar um autor - Oliveira Vianna - que "foi mandado aos
infernos", refletir sobre seus escritos como cientista social e localizar sua produção
em meio à dos demais intelectuais que, na primeira metade do século XX, debruçaram-se
sobre veredas e caminhos diferenciados no esforço de retomar o processo de formação do
Brasil para bem interpretá-lo. O subtítulo, Oliveira Vianna entre intérpretes do
Brasil, dá conta desse esforço por localizar o autor entre os intérpretes seus
contemporâneos, Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. e Gilberto Freyre, além da
busca do diálogo que Vianna estabeleceu com Taine, com os solidaristas franceses e
outros autores referenciados em seus textos. A autora realiza incisiva crítica à teoria
das "idéias fora do lugar", locus interpretativo dominante das ciências sociais e
historiografia brasileiras, e nos mostra o quanto as preocupações que motivaram as
(simultaneamente) diferentes interpretações do Brasil tomavam como ponto de partida a
avaliação de que "as instituições de cunho liberal, base da República que se instalara
com a Constituição de 1891, pouco tinham a ver com as condições sociais e preparo
político do povo brasileiro", país regido por formas políticas "avançadas, pensadas e
formuladas" em "nações mais à frente na escala da civilização" e transpostas para um
lugar em que predominavam "formas arcaicas de organização social e econômica". Somava-
se, ainda, a consideração dos "pais colonizadores" como responsáveis por tal desacerto,
na medida em que, "pouco estruturados", teriam trazido para cá "os resquícios da
organização feudal" e, sendo povo mestiço, "ponte entre a Europa e a África. Pouco
europeu". Crítica dessa vertente interpretativa, de longa duração na nossa
historiografia, ainda hoje recorrente, Bresciani busca trilhar um outro caminho,
que "recusa a separação entre pensamento e ação". Resta sublinhar, nesse caminho, a
preocupação com a dimensão da sensibilidade e afetividade presentes no político. A
verificação do quanto o recurso a imagens e a outras figuras de linguagem de "forte
poder persuasivo" capazes de, pela repetição, alcançarem foro de verdade, foram
decisivas, constituindo verdadeiro "lugar-comum", quando se pensa a imagem depreciada
do povo brasileiro, representado como incapaz de trilhar os caminhos da civilização.
Stella Bresciani oferece ao leitor, portanto, uma excelente reflexão sobre alguns dos
caminhos incessantemente repisados no intento de nos explicar - Brasil e brasileiros -
pela retomada do passado colonial.
Quarta capa
Na Introdução a O charme da ciência e a sedução da objetividade, Na introdução
a O charme da ciência e a sedução da objetividade, Stella Bresciani expressa o temor e
o desafio de quem se dispõe a visitar um autor estigmatizado, que foi "mandado aos
infernos". Salienta a intenção de buscar, nos escritos de Oliveira Vianna, o bacharel
em Direito, preocupado com questões jurídicas e constitucionais, que se lançou num
trabalho de cientista social com a convicção, amplamente aceita na primeira metade do
século XX, de que a situação e os problemas do Brasil só seriam corretamente
equacionados se sua história fosse bem analisada desde os primórdios da colonização. Um
mal de origem a ser desvendado e devidamente purgado por uma ação política consciente.
Proposta compartilhada por vários intelectuais c
SUMÁRIO:
Considerações preliminares
Parte 1 - Identidades nacionais: uma questão sensível
Introdução
1 Entre paisagens e homens
Razão e sentimentos: teorias estéticas e produção de emoções
Uma comunidade de idéias e de preconceitos
2 O pecado da origem
O inventário das diferenças
Um projeto político, com certeza
Parte 2 - O charme da ciência e a sedução da objetividade: Oliveira Vianna, cientista
social
Introdução
3 A missão política da ciência
Métodos objetivos e lições do passado
Conceitos em comum: concordâncias e oposições
4 O postulado da diferença
O tempo e o meio formando homens
Povos, raças e etnias
A geografia e o meio social modelam corpos e almas
Assimilação e a formação da nacionalidade
5 Liberalismo, idéia exótica!
Onde muitos se encontram
"Esthetas de Constituições"
Sociabilidade e insolidariedade
As elites - a "alma" do corpo social
Estado autoritário - democracia social
6 Solidarismo e sindicalismo corporativista:
a arquitetura política da harmonia
A terceira via - em busca da "paz social"
Vínculos e afinidades solidárias
Sindicalismo e Conselhos Técnicos - uma solução nacional
Centralização e descentralização - complementaridade dos opostos
Uma questão de estilo
Referências bibliográficas
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