SINOPSE:
Vida e esperanças é um relato sobre a importância do reconhecimento na construção do
cotidiano. Aborda a negação da fecundidade implicada na realização de esterilizações
por mulheres de um bairro pobre urbano do Nordeste, compreendendo este evento como
parte de uma busca ativa de reconhecimento de mulheres pobres enquanto pessoas num
mundo repleto de controles, de violência, de emoções e de resistência. Acompanhando uma
qualidade narrativa que desarma pela sua aparente simplicidade e evidente clareza, o
leitor é transportado para a rede de amizades da autora onde convive com os tormentos
da ambigüidade que não somente assolam as moradoras da periferia nas suas decisões
sobre saúde reprodutiva e todo que isso representa para elas, mas também que assolam à
própria pesquisadora social em busca de interpretações fidedignas ao que observara.
ORELHAS:
Na rede de relações complexas que permeiam a vida cotidiana, recorrer à esterilização
pode significar que as mulheres de bairros pobres sucumbem às barreiras impostas às
infortunadas da história e das políticas nacionais e locais. No entanto, muito longe de
constituir uma forma de fatalismo, tal ação representa igualmente um modo de fazer algo
em benefício próprio, de exercer o controle sobre a própria vida, num mundo repleto de
mecanismos de silenciamento, que procuram tornar invisíveis as mulheres pobres.
Seguindo um fio norteador do conceito de reconhecimento como necessidade humana, muito
bem elaborado pela autora, esta obra oferece consistente contribuição a um debate que
interessa a todos os estudiosos. Começa por valorizar a pesquisa etnográfica,
instaurando uma compreensão da complexidade e da densidade de processos sociais e
cognitivos, que conferem conteúdo aos acontecimentos. Mais do que interpretações sobre
a população, os dados levantados cedem o passo à sinceridade das mulheres ouvidas, as
quais guiam a autora e o leitor. Merece destaque, também, o realce dado à discussão de
quadros teóricos contemporâneos, no campo das ciências sociais e, em especial, no da
antropologia, em suas ligações com a realidade brasileira. Neste livro, a autora
declara sua preferência por uma fenomenologia que, insistindo em conferir voz aos que
estão "vivendo a vida", enriquece nossa compreensão da importância de se ter clareza
teórica, despertando cada vez mais interpretações compreensivas. Escrito com
simplicidade e clareza, Vida e esperanças é um expressivo relato sobre a construção do
cotidiano de mulheres de um bairro pobre urbano da região metropolitana do Recife, em
que se procura captar a busca ativa de seu reconhecimento como pessoas, num mundo
repleto de controle, violência, emoções contraditórias e resistência cultural.
Quarta capa
Fundamentado em uma pesquisa de campo realizada na região metropolitana do
Recife, este livro busca entender o background das práticas e idéias relacionadas à
esterilização feminina, muito úteis para os que se interessam em estudar aspectos da
vida brasileira, especialmente a marginalização social dos pobres e a condição das
mulheres, no Brasil. Mais do que provar algo, o texto incita à reflexão e auxilia os
leitores a pensar sobre a sua própria condição, comparada às descritas em uma obra
sobre as características da vida humana e sobre a forma como se organiza a sociedade.
Sobre o autor
Anne Line Dalsgaard é professora associada da Aarhus University. É
antropóloga social e tem trabalhando no Brasil durante vários períodos, desde 1997.
Recentemente, engajou-se em um projeto com pesquisadores da Universidade Federal de
Pernambuco. Em 24, seu livro - agora publicado em português - recebeu Menção Honrosa da
Society of Medical Anthropology, órgão da American Anthropological Association.
SUMÁRIO:
Prefácio à edição brasileira
Apresentação de Russel Parry Scott
Agradecimentos
A laqueadura tubária do ponto de vista médico
PRÓLOGO
Maternidade em Meio à Pobreza e à Violência
CAPÍTULO 1
Introdução
Esterilização feminina no Brasil
Uma perspectiva fenomenológica
Plano de trabalho
CAPÍTULO 2
O Trabalho de Campo
Entrando no campo
Os métodos
Minha posição no campo
CAPÍTULO 3
O Bairro
Um lugar povoado
O mundo maior
Vivendo na corda bamba
CAPÍTULO 4
Fecundidade e História
Poder sobre a vida
A queda da taxa de fecundidade no Brasil
Ligação de trompas em Camaragibe
O controle dos corpos
CAPÍTULO 5
Fecundidade e Reconhecimento
A necessidade de reconhecimento
Vidas de baixo status
A incorporação da mudança
CAPÍTULO 6
Fecundidade e Lar
Múltiplas preocupações
Ser uma mãe entre outras mães
A condição de casada
CAPÍTULO 7
Conclusão
EPÍLOGO
Histórias de Cozinha
Bibliografia
Índice
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