SINOPSE:
Nenhum outro assunto obteve tanta projeção nos meios de comunicação, sejam eles leigos
ou especializados, nos últimos anos como o Projeto Genoma Humano (PGH). É esse projeto
de pesquisa biológica que se encontra no centro de gravidade deste livro, que busca
analisar o motivo e a forma pela qual as tecnologias da vida desencadearam tanta
comoção. A tese central do autor é que tal comoção só se explica pela mobilização
retórica e política, nas interfaces com a esfera pública leiga, de um determinismo
genético crescentemente irreconciliável com os resultados empíricos obtidos no curso da
própria pesquisa genômica.
O autor analisa os textos produzidos pelos biólogos moleculares e seus críticos, tanto
aqueles voltados para o público mais especializado e publicados em periódicos que têm
no entanto ligação clara com a esfera pública leiga (como as revistas Nature e Science)
quanto artigos, entrevistas, ensaios e livros dirigidos por eles diretamente ao
público, no que se convencionou chamar de divulgação científica. a fim de acompanhar as
variações nos graus e nas formulações de determinismo genético entre autores e gêneros
de publicação, assim como ao longo do tempo, para extrair conclusões, relevantes para o
pensamento social e para a sociologia da ciência, das transformações em seus usos
retóricos.
ORELHAS:
Originário de tese de doutorado defendida na Unicamp, este livro busca romper as
rígidas barreiras que a sociedade ocidental insiste em colocar entre a biologia e
sociedade, como se a natureza e a cultura fossem mundos absolutamente separados.
Questiona ainda a dicotomia tradicional entre uma visão otimista (prometéica) e
pessimista (faústica) da técnica e da ciência, apresentando a idéia de que não se pode
pensar o mundo contemporâneo sem incluir nele as ciências naturais. Para desenvolver o
tema, o autor analisou textos, entre 2000 e 2003, sobre o Programa Genoma Humano (PGH),
publicados em revistas como Nature e Science e artigos, entrevistas, ensaios e livros
de divulgação científica, produzidos por biólogos moleculares e seus críticos.
Inicialmente, Marcelo Leite analisa esses discursos para, depois, realizar uma
apreciação mais técnica, do ponto de vista da teoria biológica, da filosofia e da
biologia, do questionamento do determinismo genético unidimensional e unidirecional de
que o gene é uma mensagem em código-DNA que determina uma proteína, função ou
característica fenotípica.
O autor mostra como esse conceito entrou em crise quando se soube que os genes não
determinam sozinhos as características herdadas, não são os únicos recursos
desenvolvimentais transmitidos entre gerações e não constituem a única partícula sobre
a qual age a seleção natural.
Quarta Capa
Ao analisar textos ligados ao Programa Genoma Humano (PGH), o autor discute se a
chamada Era da Biotecnologia ou Era do Genoma merece mesmo a centralidade que lhe é
conferida pela mídia. Aponta que a complexidade empiricamente constatada da arquitetura
do genoma e de suas interações com a célula, o organismo e o meio circundante
desautorizam a manutenção da causalidade simples e unidirecional que entendia o gene
como único portador de informação, princípio que dá suporte a raciocínios baseados na
ação gênica, no determinismo genético e no genocentrismo.
Para o autor, se, por um lado, a informática é mais importante no mundo da produção, as
biotecnologias, principalmente em confluência com a própria informática e a
nanotecnologia, podem se tornar determinantes para o dinamismo da economia pelo poder
de afetar os sujeitos não só como produtores de cultura, mas também na sua própria
existência material.
Sobre o Autor
Marcelo Leite, doutor em Ciências Sociais, é jornalista free-lancer e colunista do
jornal Folha de S.Paulo. É autor dos livros Os alimentos transgênicos (2000), A
floresta amazônica (2001) e O DNA (2003), todos pela Publifolha. Pela Editora Ática,
publicou os livros paradidáticos Amazônia, Terra com Futuro (2005), Meio Ambiente e
Sociedade (2005) e Pantanal, O Mosaico das Águas (2006).
SUMÁRIO:
Prólogo
1 Ecos deterministas no Genoma Humano
2 Outras biologias: sistemas de desenvolvimento
3 Armadilhas do determinismo tecnológico
4 Metáfora e crítica do gene como informação
Epílogo
Referências bibliográficas
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